sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Bolt


Como vocês perceberam no menu ao lado, assisti Bolt - Supercão. Fiquei totalmente espantado com a qualidade da animação e da aproximação com a realidade. Filme muito bem dirigido, com cenários tremendamente quase-perfeitos (que frase feia!) e humor de primeira. Totalmente recomendado. A Disney tá de parabéns. ;P

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Como Desestimular os Bons Alunos

Os bons alunos são muito chatos. Eles são arrogantes, pretensiosos, vem nos incomodar nas nossas salas, fazem perguntas que não sabemos responder, são exigentes e, em última análise, ameaçam nossas posições acadêmicas e nossas convicções democráticas e igualitárias. Depois de muitos anos de experiências acumuladas por mim e por meus colegas, resolvi elaborar este decálogo, que espero contribua para eliminar tão perniciosa casta de nossa Universidade.

1. Mostre-se sempre infeliz. Esteja triste e desanimado. Diga, nas suas aulas, que a carreira acadêmica não vale a pena, e que as perspectivas de emprego sao remotas. Insista em que a Universidade está sucateada ou que esta dominada por caciques impenetráveis, segundo sua preferência. Insinue sempre que eles escolheram de maneira errada sua profissão e que aquele seu colega de escola que era bem burrinho e vagabundo ganha muito mais que você. Fomente a idéia de que, no mercado de trabalho, o que mais importa é saber inglês e se dar bem na entrevista. Jamais deixe escapar que o conhecimento e a pesquisa fornecem momentos de autêntica alegria.

2. Comece suas aulas as 8 horas e termine as 10 horas, sem intervalo, e queixe-se de que não dá tempo de dar tudo o que voce sabe. Não dê tempo aos bons alunos para refletir ou questionar. Lembre sempre que o objetivo de sua aula é mostrar que voce sabe muito mais que eles. Não vacile: humilhe os bons, para que aprendam.

3. Suas provas devem ser metade muito fáceis e metade muito difíceis. O objetivo é que, na medida do possível, todos os alunos tirem nota 5, o que contentará os medíocres e diminuirá a vaidade dos bons. Se algum aluno bom, motivado pelo desafio, faz as questões difíceis e não tem tempo para as fáceis, seja inflexível: dê nota 5 para ele.

4. Suas provas devem ser longas, porque a velocidade é democrática. Aplique provas longas que possam ser resolvidas decorando 13 fórmulas adequadas às palavras chave das perguntas. Alunos bons podem pretender deduzir as fórmulas, mas não terão tempo. Zero neles.

5. Aplique provas onde a segunda questão dependa da conta feita na primeira, a terceira da conta da segunda, e assim por diante. Ficam muito elegantes, e mostram sua imaginação e compreensão global do tema. A vantagem é que um aluno bom pode errar na primeira conta e tirar zero em conseqüência, o que aumentará muito sua reputação de professor rigoroso.

6. Jamais devolva as provas corrigidas para seus alunos. Os alunos bons podem pretender estudar erros e aprender com eles no dia seguinte. Quem sabe até encontram um erro seu. A justificativa para esta atitude é simples: um estudante da Universidade de Utrecht, em 1734, reclamou da nota que tinha tirado na prova de Anatomia 23 anos antes e, como o professor não guardava a cópia, a Universidade foi obrigada a trocar sua nota, de 5 para 6. Não há registros do nome desse estudante, mas todos sabem que foi assim mesmo.

7. Como voce não devolve as provas, será fácil abaixar alguns pontos na nota dos alunos bons, por motivos fúteis. Faça com que o processo de revisão seja o mais constrangedor possível, para que o aluno se envergonhe de pretender saber por que tirou 9 e não 10, e aceite o desconto nivelador. Marque uma reunião na sua sala para todas as revisões, chegue atrasado, e garanta uma boa fila: o aluno se sentirá mal de se queixar do 9 quando seus colegas estão se queixando do 3.

8. Os trabalhos em grupo sao uma boa oportunidade de infernizar a vida dos alunos bons. Nunca coloque os alunos bons no mesmo grupo: eles podem se potencializar e ficar melhores ainda. Coloque o aluno bom com colegas bem fraquinhos e chatinhos, de maneira que ele tenha que fazer tudo e sofra.

9. Os painéis nos congressos de iniciação cientifica também sao uma excelente oportunidade de desestimular alunos bons. Passeie entre os painéis admirando aqueles posters que incluem texturas coloridas, relevos, e os mais avançados meios de apresentação computacional e posterológica. Despreze posters apressados e manuscritos. Não deixe de enfatizar que, nesta etapa da vida, é mais importante a forma que o
conteúdo.

10. Nas reuniões de departamento, defenda sempre as propostas mais burocráticas e formais. Pré-requisitos, horários rígidos, barreiras para trancamento e mudança de turma. Proponha, sempre, incluir mais disciplinas no seu curso. É necessário ter os alunos bons bastante ocupados com bobagens formais, para que não perguntem.


J. M. Martínez ( www.ime.unicamp.br/~martinez )
Abril 2003

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Show is over

Buenas, iorguteiros.

Como eu havia dito (sem cacofonia, ok?) em algum post anterior (Hora do Show), estava disponibilizando a minha impagável presença para ajudar as moçoilas com suas baixas-auto-estima (sacaram, hein hein hein?! :P). Pois bem, depois de alguns... milhoes! (cof cof cof) de emails, e muito tempo dispensado com as cumpanheiras, eis um vídeo aqui de uma das melhores pole dance da qual eu fui apresentado.



Ruuuumo às dez mil visitas \o/

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Cegueira Lúcida

Um cego entra num bar de mulheres, senta no balcão e pede uma bebida ao garçon.

A bebida chega e depois de um tempo o cego grita:

- Vou contar uma piada de loiras!

A mulher ao seu lado diz:

- Já que você é cego, devo te avisar 5 coisas antes de você resolver contar a piada:

1 - O barman é uma mulher loira
2 - O gerente é uma mulher loira
3 - Eu sou uma loira de 1,75m e 90kg
4 - A mulher do meu lado é uma loira profissional em Karatê
5 - Do seu outro lado tem uma loira professora de Kung Fu

Você ainda quer contar a piada?

E o cego responde:

-Não... Deixa pra lá... Se eu for ter que explicar 5 vezes, deixa pra lá...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Engineering


"You know you’re an engineer if you have no life and can prove it mathematically."

sábado, 10 de janeiro de 2009

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Hora do show

"Nós passamos por um clube de strip-tease; pedi que ele parasse o carro e a gente entrasse. Perguntei ao gerente se eu podia subir no palco e comecei a tirar a roupa. Os homens começaram a gritar..."

Suzana, 28 anos

O QUE ISSO DIZ SOBRE ELA?
Fantasias exibicionistas surgem por necessidade de admiração, diz Nancy Friday. As mulheres adoram saber o quanto a bunda delas é gostosa, o peito é durinho e a nudez é aprovada. No fundo é uma necessidade de serem desejadas.


Men's Health, dezembro 2008.


Pois aqui estou eu, pronto para classificar vossas curvas e saliências. Prometo sinceridade e elevação de auto-estima. Agende uma pole-dance comigo. ;P

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O umbigo da moça da capa

Borogodó. A palavra pode ser muito velha e a orelha da gata em que assopro o galanteio muito nova. Mas acho que a moça da capa tem. Não exatamente no mesmo lugar em que tinha a Angelita Martinez e a Carmen Verônica, vedetes em que o borogodó ficava exatamente ali, naquela curva escandalosa onde o divino e um bom espartilho da Casa Futurista formatavam o triângulo busto-cintura-quadril. Toda vedete era um violão, música maior do Criador. Sorte de quem tocava suas cordas ou, bububu no bobobó, estava na platéia das revistas da Praça Tiradentes.

Não sei, em seguida, quem veio primeiro. Se a guitarra Fender ou a modelo Twiggy. Foram mais ou menos contemporâneas, meados dos anos 60, e similares. Achatadas. Paranóicas. As guitarras provocavam dissonâncias. A manequim magricela, muita mancha roxa quando acertava o parceiro com aquele osso dos quadris. Foram-se todas. Não há mais solo de guitarra no rock. Olívia Palito também não cruza a passarela.

Eu pediria permissão ao poeta Murilo Mendes, perenemente em pânico e em flor, para atualizar o verso em que dizia o mundo começar nos seios de Jandira. Não mais, mestre. O mundo começa no umbido da moça da capa. O foco mudou. Eu diria que Daniela Cicarelli cabe melhor no papel de Vênus calipígia. Luana Piovanni seria legítima sucessora dos seios de Jandira. Todas lindas, mas não tem para ninguém.

O umbigo da moça da capa é o redemoinho da modernidade sensual. O borogodó que abre parênteses para a nova história do formato feminino.

Faz tempo que as mulheres são mais ou menos as mesmas. Não critico. De vez em quando, porém, como se tivessem feito uma reunião especial para discutir qual seria a nova estratégia, elas mudam, todas ao mesmo tempo, o lugar onde concentram a sedução. Já foi na carne farta, e Renoir estava lá. Recentemente, vingaram as girafas, seres de pernas quilométricas, e o fotógrafo Helmut Newton clicou-as para a eternidade. Pode ser que eu esteja ficando minimalista ao extremo. Mas, parem as máquinas!

O mistério delas migrou para o umbigo e acabou na capa.

Assim caminha a humanidade e admiro essa capacidade feminina de acompnhar o design das coisas do mundo repaginando-se a si mesmas. Elas trocaram um borogodó expansivo, como o das coxas roliças e das ancas fartas (nasciam milhões de mulheres assim, onde estão?), pelo pingo umbilical. Isso faz todo o sentido num momento em que as melhores escolas de design procuram o mesmo com o traço simplificado de seus inventos. Foram-se as catedrais barrocas das vedetes.

Repaginada a cada estação, a figura da mulher continua sendo o sopro que põe crédito na existência do superior designer.

Freud encucava sobre onde elas colocavam o desejo. Eu quero saber apenas onde as mulheres vão colocar o borogodó, para onde vão desviar nossos olhos depois que arquivarem essas calças de cintura baixa da Maria Bonita.

Havia panos demais sobre o corpo para uma avaliação de rigor científico, mas eu duvido que as panturrilhas com que a Chiquinha Gonzaga se encaminhava até o piano no início do século XX, tivessem alguma coisa a ver com as que ajudam Cynthia Howlett, desenvolvidas na malhação, a mover-se hoje sobre as areias do Arpoador. Mulheres são mutantes. É bom que sejam. Precisam perceber apenas que o borogodó de uma nem sempre está no mesmo lugar dos quatro ós abertos da outra. E foi algo assim que eu aprendi com o ator Zé Trindade, divulgador, nas chanchadas dos anos 60, dessa palavrinha que merece ser incluída em qualquer lista das mais expressivas da língua portuguesa.

Ele era um nordestino atarracado, sem pescoço, um sujeito feio de dar dó, mas nos filmes fazia enorme sucesso com o mulherio. Acreditava no seu taco.

Sempre que perguntado como conquistava tantas, Zé alisava o bigode, um horroso filete de pêlos ralos. Antes que as vedetes de coxas grossas começassem a beijá-lo e o crédito de "Fim" surgisse na tela, ele piscava para a câmera e dava o bizu: "É que eu tenho borogodó." O cômico foi um gênio de sabedoria popular e eu só não entendo por que seu método de sedução não está entre os clássicos da auto-ajuda.

O umbigo da moça da capa é estado de arte e toque final aos incréus sobre a existência d'Ele - em seguida desligou o celular e se mandou pruma pousadinha em Mauá. Era modelo único. Acabou. Eu, se fosse você, não entrava nessa tortura invejosa de ginástica, de dietas para ter o mesmo modismo que vai na barriga das outras. Eu faria como o conquistador Zé Trindade. Invente e aposte todas as fichas no seu próprio borogodó.

Joaquim Ferreira dos Santos